A culinária da região Centro-Oeste constituiu-se também a partir da herança indígena, como boa parte do Brasil. Contudo, recebeu também influência direta de países vizinhos, tais como Bolívia, Paraguai e Argentina. 

A região formada pelos estados de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ocupa uma área onde o principal bioma é o cerrado.

Pode-se dizer que a culinária dessa região é muito baseada nas proteínas, sendo aqui consumidas a carne bovina, suína e a caprina. O peixe tem lugar cativo na cozinha local, visto que a região também possui reservas abundantes de água doce.

Assim como nas outras regiões que apresentamos ao longo de nossas publicações, veremos como essa ancestralidade e a identidade cultural da região, que foi-se construindo junto e também paralelo à isso, converge para a gastronomia de hoje na região. 

Goiás

Sendo a maior população da região Centro-Oeste, Goiás muito provavelmente é o principal polo gastronômico desse território. Além dos países latinos, a culinária daqui é influenciada ainda por dois estados vizinhos e dos mais tradicionais em gastronomia no Brasil: Bahia e Minas Gerais. 

Com tantos traços fortes herdados, é difícil imaginar que a culinária do estado consiga se estabelecer para além dessas influências, mas isto acontece.

Por ter grande parte de seu território fincado no cerrado, os alimentos deste bioma são dos principais componentes desta culinária, principalmente os frutos, que podem ser um diferencial na hora do preparo ou mesmo base para pratos doces, salgados e mesmo em bebidas alcoólicas. 

As pimentas também fazem a diferença na culinária goiana, assim como o pequi – fruto tradicional por aqui e ingrediente principal de um dos melhores pratos da região: o arroz de pequi. A fruta pode ser acrescentada ao prato na sua forma natural e inteira – tendo cuidado porque o caroço é duro e pode machucar – ou em polpa. 

Outro arroz queridíssimo dos goianienses é o arroz com sua, que trata-se simplesmente da coluna vertebral do porco. O arroz Maria Isabel, assim como em outras região, também faz sucesso na região.

Para além desses, outro arroz emblemático para região é o arroz de puta rica. Conta-se que o prato foi criado por uma cafetina de Goiás que queria servir em seu estabelecimento um arroz com mais ingredientes e mais farto que a galinhada, outro prato que era – e ainda é – um dos principais também da região. Surgindo assim, o arroz de puta rica.

Para além do Arroz

Mas nem só de arroz se vive em Goiás. Alguns dos outros pratos tradicionais desse maravilhoso território incluem o empadão goiano;que é como um empadão tradicional, mas livre para que se acrescente restos de carne, seja de frango, porco, ou quaisquer outras. Ele leva ainda queijo minas e a guariroba, palmeira nativa do cerrado brasileiro. Já para o horário do lanche da tarde, a pamonha pode ser uma excelente pedida. É similarmente muito consumida nos lares goianienses.

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O empadão goiano é uma das iguarias mais tradicionais de Goiás – Foto: Ministério do Turismo

Mato Grosso 

A culinária mato-grossense tem muito como base a cozinha portuguesa, tendo também como acréscimo os ingredientes indígenas e o tempero mais forte da cozinha africana. Além também de toques da cozinha espanhola. 

Assim como em muitos estados brasileiros, o arroz é dos mais importantes componentes dessa cozinha. Pratos como Maria Isabel, a galinhada e o arroz de pequi, já tradicionais no centro-oeste dão vida às mesas matogrossenses. 

Da mesma forma, os pescados são uma expressiva parte desta culinária, visto que parte do estado localiza-se às bordas do rio Pantanal. Peixes como piraputanga, pacu, dourado, dentre outros podem ser feitos na brasa, numa moqueca ou mesmo nos próprios arroz. 

Ademais, outra receita muito apreciada e que pode parecer exótica para algumas regiões do país é o Caldo de Piranha; iguaria encontrada em qualquer bom restaurante local.

Também fazem sucesso a farofa de banana da terra, carne seca com abóbora, a paçoca de pilão e a carne de maxixe. Ficando em destaque ainda o guisado cuiabano.

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Farofa com banana da terra, carne seca e abóbora – Foto: Ministério do Turismo (FlavioAndre)

Sobremesas com toque cearense

Inegavelmente as sobremesas e doces cuiabanos são também de dar água na boca. Não pense que só no Ceará o doce de cajú é tradicional, pois o daqui é similarmente uma delícia. Igualmente o Bolo de arroz cuiabano, receita tradicionalíssima e uma das principais do estado.

Surpreendentemente um dos melhores doces matogrossense é o Pixé, uma espécie de farofa doce à base de milho torrado e moído, açúcar e canela. Para muitos, inclusive, a receita é considerada afrodisíaca. 

Distrito Federal 

Inegavelmente uma das mais diversas culinárias brasileiras, assim é a do Distrito Federal. Contando com receitas do Brasil inteiro e até com cardápios diversos pelo mundo, Brasília tem fama de abrigar de tudo.

É comum ver por aqui restaurantes de cozinhas de várias partes do mundo; bem como pratos bem brasileiros espalhados pelas mesas brasilienses. 

Uma forte influência para região é a cozinha mineira, visto que Juscelino Kubitscheck, o JK, considerado pai de Brasília, era mineiro. E isso influenciou diretamente na popularidade dessa rica gastronomia por aqui.

É impossível falar do Distrito Federal sem falar de seu idealizador, assim sendo, o pão de queijo e o Chico angu, por exemplo, são receitas mineiras queridíssimas por brasilienses. 

Destacam-se ainda a buchada de bode, essencialmente nordestina e o pato no tucupi, receita típica do Norte, como vimos anteriormente. Toda essa mistura e explosão de sabores da gastronomia brasiliense garantem, sem dúvida, bons momentos para o paladar do turista. 

A mistura de ingredientes é a principal característica da cozinha Brasiliense

Outra receita, inclusive vinda do Mato Grosso do Sul através dos combatentes do Paraguai é a sopa paraguaia, que nada mais é que um bolo salgado que leva essencialmente massa de milho e queijo, preferencial o minas ou o meia cura. Um toque brasileiro especial nesta receita. 

Entre os doces e sobremesas, faz bastante sucesso principalmente a cagaita, fruto da cagaiteira que dá no cerrado brasileiro. Da região centro-oeste, a fruta é comum no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Aqui em Brasília, ela se transforma em compotas, gelato e até sorvete e picolé. É possível encontrá-la não apenas em lares brasilienses como em restaurantes por toda cidade. 

A criatividade não para por aí. A mandioca é personagem principal de uma das mais importantes sobremesas: o Mané Pelado. Este é essencialmente um bolo que, além da mandioca, tem como outro principal ingrediente o queijo ralado. 

Outros exemplos de doces da região são: o doce de Buriti, o doce de pequi, o bolo de fubá com erva doce, a torta de jatobá e o doce de lima. 

Mato Grosso do Sul 

A gastronomia sul-mato-grossense é igualmente influenciada pelos países vizinhos, como os já citados Paraguai, Argentina e Bolívia. Em um roteiro gastronômico no estado sem dúvidas você encontrará a sopa paraguaia, assim como em Brasília.

Outros destaques da cozinha local são o tereré e a chipa. O tereré trata-se de uma bebida muito parecida com o chimarrão, inclusive a forma que é servido e consumido. A diferença básica é que o tereré é servido frio e o chimarrão, quente.

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Pintado na telha, Sopa paraguaia e a Chipa – pratos tradicionais do Mato Grosso do Sul – Foto: Ministério do Turismo (Flavio Andre)

Já a chipa, vinda do Paraguai, lembra um pão de queijo e é um biscoitinho polvilhado delicioso, ideal para o lanche da tarde. A receita principal é de queijo, mas o biscoito pode ter outros sabores, a depender da preferência e criatividade de quem desejar cozinhar. 

Como não poderia deixar de ser, o arroz também ganha destaque na cozinha sul-mato-grossense, tendo como carro-chefe o arroz boliviano. Aqui, acrescentado da banana da terra, trazendo um gostinho especial de interior.


Já conferiu os outros artigos da nossa série Roteiros Gastronômicos pelo Brasil? Embarque nessa viagem gastronômica pelas 5 regiões do país e descubra pratos deliciosos e que fazem parte do dia-a-dia da nossa gente.

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